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17/09/2026Estudos

GLMP11: o índice por trás do ETF de energia limpa da Galapagos

Teva Ações Energia Limpa (GLMP11): a expansão elétrica do Brasil em uma carteira com filtros de escala, liquidez e teto de 15% por emissor.

Teva Indices
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A Teva Indices é líder em indexação para ETFs de Renda Fixa no Brasil e pioneira em ciência financeira, indexando mercados, insights e estudos para a criação dos ETFs mais eficientes do mercado brasileiro. A Teva Indices cria metodologias confiáveis, replicáveis e transparentes, cobrindo todas as classes de ativos.

O GLMP11 ganhou destaque como um dos vencedores da chamada pública de ETFs do BNDESPAR. Em segundo de 32 participantes, é um ETF setorial que busca acompanhar o Índice Teva Ações Energia Limpa.

Em uma única cota, o investidor acessa uma carteira de empresas brasileiras que atuam na geração de energia renovável, transmissão e distribuição de eletricidade, três atividades essenciais para atender ao crescimento da demanda e ampliar a capacidade do sistema elétrico brasileiro.

O índice foi construído para transformar essa tendência em uma exposição objetiva e investível. A seleção parte da Classificação Setorial Teva Indices.

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O setor elétrico agrega empresas, em geral, com receitas contratadas ou reguladas, características que podem trazer maior previsibilidade e um perfil mais defensivo a uma carteira de investimentos.

TRANSIÇÃO ECOLÓGICA E DESCARBONIZAÇÃO NO BRASIL

Falar de energia limpa no Brasil é diferente de falar de energia limpa na Europa ou nos Estados Unidos. A matriz elétrica brasileira já nasce predominantemente renovável, e por isso o desafio local não é trocar a fonte da energia. É dar conta de uma demanda que cresce e de uma infraestrutura que precisa acompanhá-la.

O GLMP11 vem suprir uma necessidade clara e ainda pouco explorada no mercado brasileiro: a disponibilidade de um veículo simples, líquido e de baixo custo que permita ao investidor acessar, de forma diversificada, empresas diretamente ligadas à transição energética, à descarbonização e à infraestrutura crítica do setor elétrico.

A transição energética brasileira não é apenas uma história de geração renovável. O crescimento da eletrificação exige uma infraestrutura capaz de gerar, transmitir e distribuir cada vez mais energia.

O Índice Teva Ações Energia Limpa é um índice setorial, construído para representar empresas brasileiras ligadas à geração renovável, transmissão e distribuição de eletricidade. A Classificação Setorial Teva Indices define quais companhias pertencem a esse universo a partir de suas fontes de receita. Depois dessa seleção setorial, entram os critérios de tamanho, liquidez e capacidade financeira que tornam a carteira investível.

Essa construção também ganhou destaque na Chamada Pública da BNDESPAR para seleção de ETFs. O processo prevê investimentos de até R$ 1 bilhão em até cinco fundos, limitados a R$ 200 milhões por ETF e a 50% de seu patrimônio. Entre as 32 propostas recebidas, a Galapagos Teva Ações Energia Limpa ficou em segundo lugar.

Dois dos cinco índices selecionados para a etapa de diligência eram da Teva Indices.

Para o investidor, essa exposição reúne ainda características particulares do setor. Parte relevante dessas empresas opera com receitas contratadas ou reguladas e mecanismos de reajuste de longo prazo, o que reduz sua dependência direta às oscilações do ciclo econômico.

O histórico do índice sustenta a atenção: entre outubro de 2016 e agosto de 2026, o Índice Teva Ações Energia Limpa acumulou 257,64%, contra 182,33% do Ibovespa no mesmo período.

COTAÇÃO HISTÓRICA DOS ÍNDICES

Cotações base 100 entre out/16 e ago/26

Gráfico 1. Cotação histórica dos índices, base 100. Considera a cotação entre os dias 03/10/2016 e 11/08/2026. Fonte: Teva Indices.

DE ONDE VEM A PREVISIBILIDADE EM CADA ELO DA CADEIA DO SETOR

Uma das características mais interessantes do setor elétrico é combinar uma demanda estrutural por infraestrutura com modelos de receita que, em parte relevante do setor, oferecem maior previsibilidade:

  • Na geração a energia pode ser comercializada tanto no mercado regulado quanto no mercado livre. Contratos de médio e longo prazo dão maior previsibilidade às receitas, enquanto o mercado livre amplia a flexibilidade na comercialização da energia.
  • Na transmissão, as concessionárias recebem a Receita Anual Permitida, RAP, pela disponibilidade da infraestrutura. A remuneração não depende diretamente do volume de energia transportado, o que torna o fluxo de receitas mais previsível.
  • Na distribuição, as tarifas são reguladas pela ANEEL e atualizadas por reajustes e revisões periódicas. Esse modelo estabelece regras para a remuneração da atividade e dos investimentos realizados pelas concessionárias.


Para o investidor, essa combinação é relevante: geração, transmissão e distribuição participam da expansão da infraestrutura elétrica brasileira, enquanto parte importante de suas receitas conta com contratos ou mecanismos regulatórios que trazem maior visibilidade ao negócio.

Esse perfil também aparece no comportamento histórico do índice. Com beta de 0,80 em relação ao Ibovespa no período analisado, o índice apresentou menor sensibilidade às oscilações do mercado, característica compatível com um perfil mais defensivo.

UMA MATRIZ RENOVÁVEL QUE PRECISA CRESCER

O ponto de partida brasileiro é incomum se comparado ao cenário internacional. Enquanto nos países da OCDE a participação renovável na oferta interna de energia elétrica foi de apenas 35,4% em 2024, no Brasil, segundo o Balanço Energético Nacional 2026 da EPE, só a geração hidráulica respondeu por 51,2%, com eólica e solar somando outros 26,4% em 2025.

O resultado dessa composição nos coloca em uma posição de destaque no cenário internacional:

Em 2025, as fontes renováveis responderam por 86,8% da oferta interna de energia elétrica brasileira.

O desafio, portanto, é de escala. O Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, do MME e da EPE, projeta crescimento médio de 3,3% ao ano no consumo de eletricidade até 2035, que passaria de cerca de 680 TWh em 2025 para 939 TWh em 2035. A projeção aponta para um crescimento de 38,1% em 10 anos, em seu cenário de referência.

Atender essa carga exige capital, e não apenas em usinas. O PDE 2035 aponta potencial de R$ 596 bilhões em investimentos em energia elétrica até 2035, dos quais R$ 117 bilhões em transmissão.

Há ainda uma classe de consumidores em formação: em junho de 2026, projetos de data centers acumulavam 38 GW em pedidos de parecer de acesso ao sistema elétrico, segundo o MME. Pedidos de acesso indicam potencial, não demanda contratada ainda.

DO TEMA SETORIAL À EXPOSIÇÃO INVESTÍVEL

Uma tendência estrutural não se transforma automaticamente em um bom índice.

Um dos passos mais relevantes da metodologia é definir o setor que o índice quer representar. A Classificação Setorial Teva Indices identifica as companhias pelas fontes de receita e delimita o universo às empresas atuantes na geração renovável, transmissão e distribuição de energia.

E aqui aparece a primeira restrição prática: o universo de companhias listadas ligadas ao setor elétrico brasileiro é relativamente restrito. Quando o conjunto de candidatas é pequeno, a liquidez dos ativos passa a ser fundamental.

Representar bem o setor não basta: o índice precisa ser replicável na prática.

O primeiro filtro é de porte: a companhia precisa ter valor de mercado superior a R$ 5 bilhões. A regra evita que empresas muito pequenas entrem em uma carteira que precisa ser replicada por um ETF.

Depois vem a liquidez. O ativo deve negociar ao menos R$ 100 milhões em cada um dos dois meses anteriores ao rebalanceamento, estar presente em 100% dos pregões do mês anterior e ter free float mínimo de 4%. São três dimensões complementares: volume, regularidade e disponibilidade para negociação.

Além de porte e liquidez, a metodologia também exige uma condição mínima de capacidade financeira:

Para ser elegível, a empresa precisa apresentar cobertura de juros igual ou superior a 0,5. O indicador funciona como um filtro de solvência: exige que o EBIT cubra ao menos metade do custo estimado da dívida.

Ao limitar empresas em que o serviço da dívida consome parcela excessiva do resultado operacional, o índice reduz a exposição a balanços mais pressionados e preserva maior margem financeira para o acionista.

COMO O ÍNDICE TRANSFORMA A TESE EM REGRAS

A metodologia responde, na ordem, a quatro perguntas:

  • Quem entra. Além do filtro setorial e financeiro descrito acima, excluem-se empresas em recuperação judicial ou extrajudicial, além daquelas inadimplentes com a entrega de informes nos últimos 24 meses.
  • Como recebe peso. Ponderação por valor de mercado ajustado pelo free float. Ao usar o capital disponível para negociação, e não o valor de mercado total, o índice aproxima o peso de cada companhia do seu tamanho investível e concentra onde há mercado.
  • Como a concentração é controlada. Limite de 15% por emissor, aplicado no rebalanceamento. Em um universo restrito, sem esse teto um ou dois nomes dominariam a carteira.
  • Quando as regras voltam a valer. Rebalanceamento semestral, no primeiro dia útil de abril e de outubro. Nesses momentos, os critérios de elegibilidade são reaplicados, incluindo porte, liquidez e cobertura de juros, permitindo que a carteira incorpore mudanças na capacidade financeira das empresas ao longo do tempo. A periodicidade semestral também evita giro excessivo, equilibrando atualização dos fundamentos e custo de replicação para o cotista.

É a composição resultante que materializa a tese setorial.

EXPOSIÇÃO POR FOCO DE ATUAÇÃO

Peso por foco de atuação no último rebalanceamento

Gráfico 2. Peso por foco de atuação no último rebalanceamento, segundo a Classificação Setorial Teva Indices. Fonte: Teva Indices.


Energia integrada responde por 49,6% da carteira, geração e transmissão por 24,8%, transmissão por 11,8% e distribuição por 10,5%. A maior parte da exposição está em companhias cuja atividade principal envolve transportar e entregar energia, ou operar a cadeia de forma integrada. Os 5 maiores ativos do índice no último rebalanceamento eram EQTL3, CPLE3, CMIG4, AXIA3 e ENGI11.

Ativos

Gráfico 3. Peso por ativo no último rebalanceamento. Fonte: Teva Indices.

O QUE O HISTÓRICO DO ÍNDICE MOSTRA

Com a tese e a metodologia definidas, o histórico permite observar como essa construção se comportou no período analisado.

Entre 3 de outubro de 2016 e 11 de agosto de 2026, o Índice Teva Ações Energia Limpa acumulou 257,64%, frente a 182,33% do Ibovespa. Em termos anualizados, o CAGR foi de 14,03%, contra 11,29% do índice de ações brasileiro.

COMPARAÇÃO DE DESEMPENHO

Métricas de risco e retorno dos índices – ago/26

Tabela 1. Métricas de risco e retorno entre 03/10/2016 e 11/08/2026. Retornos anualizados na convenção de 252 dias úteis. Histórico do índice. Fonte: Teva Indices.


As janelas móveis acrescentam outra dimensão. O índice superou o Ibovespa em 62,6% das janelas de 12 meses, 74,7% das de 24 meses e 96,4% das de 36 meses. A leitura correta é histórica: dentro da série analisada, a superação apareceu com maior frequência nas janelas mais longas:

Em janelas de 48 meses, o índice superou o Ibovespa em 98,6% das vezes.

RETORNO EM JANELAS MÓVEIS

Percentual de janelas com retorno superior ao Ibovespa

Gráfico 4. Percentual de janelas móveis com retorno superior ao Ibovespa. Janelas calculadas entre 03/10/2016 e 11/08/2026. Histórico do índice. Fonte: Teva Indices.

A frequência de superação, porém, não conta a história inteira. Vale olhar a magnitude e seu viés.

Apesar de o excesso de retorno anualizado médio ser bastante estável, variando entre 4,91% e 5,93%, o destaque está na redução da dispersão nas janelas mais longas.

A dispersão dos resultados sofre uma forte compressão nos prazos maiores: enquanto a janela de 12 meses oscila bruscamente de -30,54% a 58,02%, o período de 48 meses estreita essa variação para uma faixa de -1,05% a 15,33%. Além do viés positivo, o afunilamento também dá sentido ao padrão do gráfico a seguir:

VIÉS POSITIVO NO EXCESSO DE RETORNO

Excesso de retorno anualizado sobre o Ibovespa

(média, mínimo e máximo)

Gráfico 5. Excesso de retorno anualizado sobre o Ibovespa em janelas móveis: média, mínimo e máximo. Período de 03/10/2016 a 11/08/2026. Histórico do índice. Fonte: Teva Indices.

O retorno é apenas parte da leitura. O beta histórico em relação ao Ibovespa foi de 0,80, com correlação de 0,81. O drawdown máximo foi de 41,53% na crise do Covid, ante 46,82% do Ibovespa.

HISTÓRICO DE DRAWDOWN

Queda máxima histórica

Gráfico 6. Queda máxima histórica acumulada. Período de 03/10/2016 a 11/08/2026. Histórico do índice. Fonte: Teva Indices.

DO ÍNDICE AO GLMP11

O GLMP11, gerido pela Galapagos Capital, transforma a metodologia do Índice Teva Ações Energia Limpa em um ETF negociado em bolsa.

Em uma única cota, o investidor acessa uma carteira de empresas brasileiras ligadas à geração renovável, transmissão e distribuição de energia, com regras objetivas de elegibilidade, ponderação e rebalanceamento.

A Teva Indices é responsável pela metodologia, cálculo e manutenção do índice, enquanto a Galapagos Capital realiza a gestão do ETF e sua replicação. Essa separação de papéis é um dos pilares de governança de um ETF indexado, porque torna o retorno do fundo auditável contra uma referência externa e independente.

A estrutura de custos reforça a simplicidade do produto: taxa global de apenas 0,20% ao ano e custódia máxima de 0,03%, sem taxa de performance, ingresso ou saída. É uma forma de acessar essa exposição com baixo custo e a praticidade de comprar e vender cotas diretamente na bolsa, da mesma forma que uma ação.

RISCOS E LIMITAÇÕES

  • Concentração por construção. O universo elegível é restrito e a carteira tem pouco mais de uma dezena de emissores. O limite de 15% por emissor no rebalanceamento reduz a dominância de um nome, mas não transforma o índice em uma carteira ampla. Trata-se de exposição setorial concentrada.
  • Risco regulatório e tarifário. Boa parte da previsibilidade descrita neste texto vem de regras: RAP, revisões tarifárias, contratos de concessão. Mudanças regulatórias, revisões desfavoráveis ou disputas sobre renovação de concessão afetam diretamente a receita dessas companhias.
  • Risco de mercado e hidrológico. A carteira está sujeita às oscilações da bolsa e, no caso das geradoras, a condições hidrológicas e de despacho. Mudanças no preço da energia, no regime de chuvas e nas condições de mercado podem afetar o desempenho das empresas e, consequentemente, do índice.
  • Histórico do índice, não do ETF. Todo o desempenho apresentado é do índice. O GLMP11 inicia sua trajetória agora e terá diferenças em relação ao índice por conta de taxas, caixa e custos de negociação. Histórico do índice e histórico efetivo do ETF são duas coisas distintas.

PERGUNTAS FREQUENTES

O que é o GLMP11?

O GLMP11 é um ETF gerido pela Galapagos Capital que busca replicar o Índice Teva Ações Energia Limpa, oferecendo exposição a empresas brasileiras ligadas à infraestrutura elétrica e à geração renovável.

Em quais empresas o GLMP11 investe?

O GLMP11 é um ETF gerido pela Galapagos Capital que busca replicar o Índice Teva Ações Energia Limpa. O fundo oferece exposição a empresas brasileiras ligadas à geração renovável, transmissão e distribuição de energia, selecionadas por critérios de porte, liquidez e capacidade financeira. A carteira é ponderada por valor de mercado ajustado pelo free float, com limite de concentração por emissor e rebalanceamento semestral.

Por que o rebalanceamento é semestral e não mensal?

Porque a metodologia combina critérios de mercado com filtro financeiro. O rebalanceamento semestral permite atualizar porte, liquidez e cobertura de juros com uma frequência compatível com a evolução dos fundamentos das empresas, ao mesmo tempo em que evita giro excessivo e custos desnecessários para o cotista. Entre os rebalanceamentos, os pesos variam com os preços e podem ultrapassar temporariamente o limite de 15% por emissor.

O GLMP11 paga dividendos?

O GLMP11 reinveste os dividendos, juros sobre capital próprio e demais receitas recebidas pela carteira. Em vez de serem distribuídos periodicamente ao cotista, esses recursos permanecem no fundo e são incorporados ao patrimônio, permitindo que o investidor mantenha o capital integralmente reinvestido, se beneficie do efeito composto ao longo do tempo e do seu diferimento tributário.

Fontes: Teva Indices (metodologia, composição da carteira e métricas de risco e retorno do Índice Teva Ações Energia Limpa, data-base de 11/08/2026); regulamento consolidado do Galapagos Teva Ações Energia Limpa IS ESG Fundo de Índice, de 02/09/2026; EPE (Balanço Energético Nacional); MME e EPE (Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, cenário de referência); MME (leilões de transmissão e pedidos de acesso de data centers); BNDES (Chamada Pública de ETFs).

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