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E se o Warren Buffet fosse um fundo?

Qual o impacto das taxas de administração? O que teria acontecido com o patrimônio de Buffet se tivesse investido em fundos tradicionais.

A Teva Indices é uma das líderes em índices para o mercado financeiro brasileiro. Unindo ciência financeira e tecnologia, nossos índices trazem inovação e dão origem a fundos indexados e ETFs. Neste artigo trazemos um pouco mais das histórias por trás dos ETFs mostrando como o mercado evoluiu e porque esses fundos tornaram-se tão relevantes.

A origem dos primeiros fundos de investimento

A história dos fundos começa no final do século XVIII, logo após uma grande crise de liquidez e crédito iniciada na Inglaterra e que se espalhou para bolsa de Amsterdam. Em 1774, um mercador holandês criou a primeira estrutura de fundo de investimento com o objetivo de permitir que pequenos investidores pudessem agregar seus recursos para diversificar seus investimentos em várias empresas, diminuindo assim o risco de investir em ações individuais.

Esse primeiro fundo chamado de “Eendragt Maakt Magt” ou, “União cria força” durou cerca de 120 anos e ainda sustenta o recorde de veículo de investimento mais duradouro da história.

Foram precisos quase 150 anos para que a estrutura original dos fundos ganhasse uma grande inovação: os resgates (a possibilidade de o investidor pedir ao fundo seus recursos de volta). Até então os fundos eram fechados e os investidores tinham que vender suas cotas para outros investidores para liquidar seus investimentos.

Com os resgates tornou-se possível receber os aportes ao preço corrente dos investimentos. Mesmo com prazos longos de liquidação (D+30, D+60, D+90...), o modelo se popularizou na década de 1930, durante a grande depressão, quando os investidores puderam negociar os ativos dos fundos sem os descontos que eram impostos aos fundos fechados.

De forma similar, os ETFs também surgiram como inovação após períodos de crise. Suas origens remontam ao market crash de 1987. O instrumento foi pensado pelos reguladores da SEC para prover liquidez adicional para o mercado, permitindo a negociação de ações em grupo (ou cesta) ao invés de individualmente.

Esses novos fundos acumulariam as vantagens das inovações históricas, unindo a possibilidade de resgates com a negociação das cotas em bolsa e adicionando liquidez e transparência. Dessa forma, é possível investir em uma cesta diversificada com preço de tela e liquidação em D+1 ou D+2.

Instrumentos de alocação eficientes

O principal objetivo de um fundo de investimento é dar acesso a uma classe de ativos. Até o surgimento dos ETFs, alocar de forma diversificada em debêntures, por exemplo, só era possível através de fundos que cobravam altas taxas. Os ETFs desintermediam. Dão acesso a uma classe de ativos de forma diversificada e com baixo custo e são uma das formas mais eficientes de se montar um portfólio.

Em 1993 o primeiro ETF foi lançado nos Estados Unidos. O fundo seguia o índice da S&P 500 e abriu a possibilidade de comprar todas as ações do índice de uma só vez. Até então, para o investidor comum, montar um portfólio que replicasse o mercado era algo caro, complexo e praticamente inviável.

A estrutura do ETF também permite que o fundo não precise carregar caixa e liquidez. A alocação em caixa em geral é detratora de retornos quando o mercado vai bem.

Hoje no Brasil, os ETFs funcionam da mesma forma. Sua estrutura permite que os fundos sejam listados na bolsa e que negociem muito próximos ao seu valor patrimonial. É uma forma eficiente de ganhar exposição a uma classe de ativos com custo baixo, diversificação e transparência.

Como as carteiras são divulgadas diariamente, os investidores têm um dos mais altos graus de transparência e sabem em quais ativos estão investindo.

Se Warren Buffet fosse um fundo e o impacto das taxas

US$ 100 investidos com Warren Buffet no início da Berkshire, sem taxas e com taxas de administração e performance

Em maio deste ano, milhares de investidores e entusiastas do mercado financeiro se reunirão em Omaha para assistir o encontro de acionistas da Berkshire Hathaway. A conferência tornou-se um dos principais eventos de investimento do mundo, onde os acionistas procuram insights e opiniões do “Oráculo de Omaha” sobre o presente, passado e futuro.

Warren Buffet e seu sócio Charles Munger são reconhecidos como dois dos melhores investidores da história. Não é à toa, os relatórios anuais trazem sempre estampados na primeira página os incríveis retornos da ação da Berkshire (que chegam aos 20% ao ano quando compostos desde o início em 1965).

“Os maiores inimigos do investidor são as taxas e as emoções”

Pouco se fala, entretanto, sobre uma das opiniões mais enfáticas da dupla sobre o mercado de investimentos. Como narrado no livro O Investidor de Bom Senso de John C. Bogle, em muitas ocasiões eles foram severos ao criticar o impacto das taxas nos investimentos. Segundo Buffet: “Os maiores inimigos do investidor são as taxas e as emoções”, enquanto Charles Munger completa: “Uma única coisa é certa sobre a complexidade do mercado: o custo total da gestão de investimentos e a fricção de trocar de posições, pode facilmente apagar 3% de patrimônio por ano”.

Desde o início, a Berkshire, uma seguradora, investiu por meio de seu balanço. Mas será que a dupla teria os mesmos retornos em uma estrutura comum que cobrasse 2% de taxa de administração e 20% sobre a performance?

Investindo junto a Warren Buffet, com 2% de taxa de administração e 20% de performance
(% do valor criado apropriado por taxas ou como ganhos)

Aplicando os retornos da Berkshire e usando como benchmark o S&P500, replicamos a estrutura padrão de taxas 2/20 (dois com vinte). Em alguns detalhes:

  • Assumindo o investimento de US$ 100 no início de 1965;
  • A taxa de administração de 2% ao ano é aplicada sobre a média do valor investido no começo e ao final do ano;
  • A taxa de performance de 20% é aplicada anualmente ao final do ano ao retorno líquido da taxa de administração;
  • É considerada a marca d’água da performance, sendo necessário para cobrança de performance cumulativamente superar o benchmark no ano e ter retorno positivo desde o último máximo alcançado;

Os resultados das taxas são avassaladores. Se Warren Buffet fosse um fundo:

  • 86% de todo valor gerado teria sido subtraído em taxas desde o início;
  • Menos de 24% das taxas teriam sido pagas em performance e 76% seriam de administração;
  • US$ 100 investidos teriam se tornado US$ 505 mil ao invés de US$ 3,6 milhões;

Mesmo com uma das melhores performances da história, menos de 25% das taxas seriam de performance

Chama atenção que, mesmo tendo uma performance única que transformou Buffet no nome mais conhecido do mundo em investimentos (entre milhões de investidores), menos de 1/4 das taxas pagas teriam sido pagas por performance.

Investir é alocar de forma eficiente

Investimentos são uma atividade de longo prazo. O poder dos retornos compostos é uma vantagem para o investidor, enquanto os custos podem ser seus maiores inimigos. Os ETFs são uma forma eficiente de alocação e podem ser fundamentais para o sucesso do investidor.

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